Texto por Henrique Mota Lourenço / Fotos por Rui Minderico
Depois de uma mini-tour em formato acústico, Alexandre Monteiro – mentor e líder do projeto The Weatherman - trouxe a Lisboa a apresentação do seu mais recente álbum, o homónimo “Weatherman”.
As espectativas quanto à afluência popular ao Musicbox eram algo incertas, dado a hora marcada para a actuação da banda portuense coincidir com o concerto de Yo La Tengo na Aula Magna. Como tal, o espectáculo atrasou-se ligeiramente, de modo a que o maior número de pessoas pudesse chegar a tempo de ouvir a pop bem-disposta de Weatherman e companhia. Com menos de 100 pessoas na sala, criou-se um ambiente intimista com algumas caras conhecidas e amigos dos 4 músicos que subiram a palco.
“See Ya”, tema de despedida do novo álbum, surge agora como introdução ao concerto, fazendo-se ouvir através do PA antes de a banda iniciar a sua prestação. A primeira música tocada pelo quarteto é “Unite the People”, onde a pujança e atitude do baterista Nuno Sarafa – que acompanha o grupo há já algum tempo – desde já se fazem notar, confirmando-o como um dos mais entusiásticos bateristas a nível nacional.
Sem pausas, passa-se de imediato para “Summer Dream”, um dos temas figurantes no trabalho de estúdio anterior, que antecedeu a acústica e melodiosa “Double Trouble”. Antes de avançar para outras músicas, Alexandre fez questão de agradecer a presença de todos os que decidiram deslocar-se ao Cais do Sodré numa noite particularmente especial para ele, avisando ainda para “apertar os cintos”, como que antevendo a actuação forte, dinâmica e activa do grupo.
A componente cénica esteve também bastante presente durante a noite de Sexta. Partindo da indumentária cuidada do vocalista da banda, passando pelo “W” impresso nas costas de um piano, até à projeção de imagens como pano de fundo da actuação, tudo se revelou cuidadosamente preparado e planeado por um grupo de artistas associados à banda, mas também pelo próprio frontman.
“15 Days”, que dá o mote a “Weatherman”, revela-se explosiva ao vivo, com o seu refrão pujante, sempre apoiado pelos coros certeiros e afinados do baixista João André. “State of Mind”, canção que se seguiu, mostra-nos que Alex (para os amigos) não só é um belíssimo vocalista, como também um experiente guitarrista capaz de despejar acordes certeiros e ritmados ao longo de toda a noite.
Chegara agora a altura de se fazer ouvir o primeiro convidado da noite. Rui Maia – teclista dos X-Wife, criador do projeto Mirror People e “um dos mais cósmicos músicos portugueses” (palavras do próprio Weatherman) – junta-se à banda em “Proper Goodbye”, conquistando uma vigorosa ovação que fez esquecer o reduzido número de pessoas que ali se encontrava. Maia voltaria ainda para tocar “I’ve Come Home” de forma igualmente “cósmica”.
Catarina Miranda, que veste a pele de Emmy Curl, foi a segunda “convocada” da noite. “It Took Me So Long”, assumiu, implicitamente, contornos mais Folk com a presença da talentosa cantora de Vila Real, que se revelou uma aposta ganha enquanto convidada.
Seguir-se-ia “Follow You Everywhere”- outro dos singles oriundos de “Jamboree Park at The Milky Way- que nos conta a história de “um fanboy apaixonado pelas rockstars e que as segue para todo o lado”. A canção foi dedicada a todas as “estrelas de rock” presentes na sala, nomeadamente a Afonso Rodrigues (dos Sean Riley & the Slowriders) e aos The Poppers.
Passados cerca de 4 anos desde o seu lançamento, os temas deste segundo álbum continuam a causar grande impacto, como é o caso de “Chloe’s Hair” – uma das mais populares músicas de The Weatherman – que fora ali guiada ao piano e interpretada de forma algo intensa e emotiva por Alexandre Monteiro, enquanto brilhava em frente à fascinante tela de cores criada pela projecção de vídeo. Houve ainda tempo para a apaixonada “Love You Back”, que ajudou a manter a tranquilidade nesta “fase mais calma do concerto”.
“Tragicamente, estamos a chegar ao fim”, anunciava a banda antes de se lançar para uma versão de “We All Jumped In” tão musculada que parecia repleta de esteróides e “testosterona”. “Fab”, a música que supostamente encerraria o concerto, puxou inclusive algumas palmas e passos de dança, merecendo um emotivo “You couldn’t be more fab” dirigido à plateia, que, apesar de reduzida, acolheu Weatherman como se estivesse em casa. Foi ainda em “Fab” que o teclista Sérgio Alves teve maior destaque, ainda que sempre resguardo pela larga dimensão do piano, que cobriu grande parte do seu rosto durante o concerto.
Os quatro músicos deixam o palco visivelmente agradados com a prestação do público, regressando pouco tempo depois para tocar um último tema, intitulado” Out of My Mind”. Tanto a banda como o público presente estiveram irrepreensíveis ao longo de toda a noite. No entanto, fica sempre latente a sensação de que, depois de todo o esforço e cuidado com que este espectáculo foi produzido, Weatherman e companhia mereciam uma maior moldura humana para os receber.

















