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O que aconteceria se os Sleaford Mods trocassem o portátil por uma banda completa? IDLES é a resposta certa.
Num segundo dia de NOS Primavera Sound que começou mais auspicioso que o primeiro, o sol brilhou sobre o concerto dos britânicos que iniciaram as hostilidades do palco principal. Há que apreciar a dissonância entre a imagética da banda, com um wallpaper de florzinhas a decorar o palco, e a rudeza com que tratam os instrumentos. Curiosamente, uns com os outros são uns amores de pessoa e antes do concerto descolar ora venha de lá um beijinho de boa sorte.
Num espetáculo em que tudo teve direito a dedicatórias contámos, a saber: a união Europeia, o serviço nacional de saúde britânico, os imigrantes e o Anthony Bourdain. A letra de “1049 Gotho” foi tristemente apropriada à ocasião.
Mas falemos de coisas mais divertidas.
Os Idles são punk rockers como estes festivais tendem a não ver. “What the fuck is this shit?,” perguntava Joe Talbot a propósito da protuberância que tinha crescido ao palco principal durante a noite. “ I’m not fucking Mick Jagger.” Depois lançar-se-ia a “Samaritans” proclamando sem pudor “I kissed a boy and I liked it.” Da nossa parte, vamos sempre aplaudir referências a Katy Perry e punks à moda antiga, mas subversivamente actuais. Mais atrás, os guitarristas tocavam os seus instrumentos como se os odiassem.
Não seria de esperar que os ritmos e letras de “Brutalism”, álbum que preenche a setlist do concerto, suscitassem um pézinho de dança, mas Mark Bowen mexe-se e contorce a anca a cada ocasião qual Father John Misty sobre efeitos de speed. Viria aliás do homem das patilhas de criador de leitões da Mealhada o momento mais interessante do concerto, quando largando a guitarra vem berrar para o meio do público com a ajuda de quem lhe quisesse emprestar a voz. Ao regressar a palco, já de rastos, é recebido por Talbot e os dois produzem um milagre de Natal em junho cantando acapela o eterno hino da quadra, “All I Want for Christmas is You” de Mariah Carey.
A recta final do concerto já estava sobre nós, mas ainda houve tempo para maldizer as “fake news,” ver a cara do vocalista ruborizar-se em vermelho incandescente e dirigir-se ao público alternando entre o português, francês e italiano.
“After we have Breeders, and then Shellac and then… some other shit.” Não vamos aventurar o que seriam as “outras merdas.” Desconfiamos.
O concerto termina com os solos -terríveis – de guitarra de “Rottweiler” e com Mark Bowen a saltar à corda com a guitarra. Em Novembro há mais e vamos querer repetir.